Estudou-se a fotoquímica de ligninas em solução usando técnicas de fotólise relâmpago e iluminação contínua. Os estudos foram feitos empregando-se urna lignina de baixo peso molecular, extraída da casca do arroz, e os resultados comparados com os modelos vanilina, p-hidroxibenzaldeído, 4-cloro, 3-metilfenol, e Éter I. Esses estudos realizaram-se em soluções com e sem oxigênio. Forarn identificados e caracterizados os radicais fenoxi e cetil. Estes radicais derivam da abstração de hidrogênio fenólico pela carbonila excitada. Verificou-se que o oxigênio exerce um importante papel nos processos posteriores, sendo que o estado fundamental reage com os radicais formados na etapa inicial. Em particular, a reação com os radicais fenoxi resulta em estruturas quinonóides, as quais agem como iniciadores de outras reações. Essas estruturas - quinonóides , inclusive, fotosensitizarn o oxigênio singlete, o qual passa a atuar abstraindo hidrogênios fenólicos. Notou-se que a participação de oxigênio singlete fotosensitizado pela carbonila excitada é negligenciável. Simultânea à fotooxidação, observou-se urna tendência a degradação e aumento do teor de aril-carbonilas nas ligninas. Paralelamente ao processo que leva à formação de radicais livre por abstração de hidrogênio fenólico pela carbonila excitada, ocorre a fotoclivagern de ligações aril-éter, que gera radicais fenoxi. Este estudo permitiu definir os grupos mais importantes na fotooxidação de ligninas, como: aril-carbonílicos (Ar-C=O), fenólicos (ArOH), duplas ligações conjugadas e anel aromático (Ar-CH=CH-), grupos metóxi (-OCH3) e grupos aril-éter (Ar-O-CH-Ar).